O Partido dos Trabalhadores (PT) comunicou na sexta-feira (20) que, junto ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e ao Partido Verde (PV), protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ações contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) e o Partido Liberal (PL). As siglas integrantes da Federação Brasil da Esperança alegam suposta prática de propaganda eleitoral antecipada em desfavor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A união partidária afirmou ter sido feito “uso de conteúdos inverídicos e falsos que atacam de forma leviana a imagem” de Lula “para influenciar a opinião de eleitores”. Um dos vídeos citados pela sigla foi compartilhado por Flávio em suas redes sociais com críticas ao governo do petista.

A publicação feita por meio de inteligência artificial mostra um desfile de escola de samba com imagens do chefe do Executivo, da primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, a Janja, a ex-presidente Dilma Rousseff, o ex-líder venezuelano  Nicolás Maduro e a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. Ainda há menção aos casos do Banco Master e dos descontos indevidos no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e à crise nos Correios.

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“Flávio Bolsonaro, também como pré-candidato à presidência, tem intenções exclusivamente eleitoreiras ao [difamar] a imagem de Lula e associá-lo, de forma inverídica e leviana, a escândalos financeiros, como a liquidação do Banco Master e os descontos indevidos do INSS”, argumentou a Federação.

Em outro processo, o agrupamento partidário acusou Flávio e o ex-ministro do Turismo Gilson Machado de fazerem propaganda eleitoral antecipada por meio da distribuição de adesivos com imagem do senador e do ex-presidente Jair Bolsonaro com a frase: “Nordeste está com Flávio Bolsonaro 2026”. Na terça-feira (18), o deputado federal Lindbergh Farias protocolou uma representação no TSE contra o empresário pernambucano e citou um vídeo publicado pelo safoneiro em seu perfil no Instagram colando o material em uma moto.

Em outra publicação, feita também na sexta, Gilson se manifestou sobre a ação protocolada pelo deputado federal. “Vocês acham mesmo que eu, que fui ministro do Turismo, amigo de fé e leal de Bolsonaro, faria algo para prejudicar o seu filho Flávio? (…) Tudo que fiz até hoje foi consultado com o nosso departamento jurídico eleitoral, porque a gente é perseguido, o que está acontecendo é uma cortina de fumaça”, defendeu-se.

Nas outras representações protocoladas junto à Justiça eleitoral, a Federação pede punição ao PL e a Zema e a “impugnação” da suposta propaganda eleitoral feita por meio de vídeos compartilhados nas redes sociais. À Jovem Pan, o governador mineiro disse, por meio de sua assessoria, que o objetivo das publicações foi “de recordar passagens marcantes da carreira de Lula que foram esquecidos no desfile do Sambódromo”.

“Lula acha normal que uma escola de samba use dinheiro público para fazer campanha a seu favor, mas fica nervoso quando alguém lembra sua verdadeira trajetória”, declarou Zema.

Jovem Pan procurou Flávio Bolsonaro e o Partido Liberal por meio de suas assessorias. Até o fechamento desta reportagem, não obteve resposta. O espaço segue aberto.

Defesa à representação do PL

O PT informou também que apresentou as defesas da sigla e do chefe do Executivo às ações protocoladas pelo PL e pelo Partido Missão, em que foi alegado prática de propaganda eleitoral antecipada durante o desfile da escola Acadêmicos de Niterói com samba-enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. A legenda argumentou que a homenagem “narrou a história de vida” do presidente.

O partido de Lula também afirmou que o Sambódromo Marquês de Sapucaí é um “espaço democrático, no qual é corriqueira e historicamente consagrada a homenagem a personalidades relevantes para a história do Brasil e do mundo”. O PT negou que a legenda e o chefe do Executivo “influenciaram, coordenaram ou requisitaram” a homenagem. “Tudo que foi levado à avenida foi de iniciativa direta da Acadêmicos de Niterói, que exerceu o seu legítimo direito à liberdade de expressão artística e política”, disse.

O PT ainda acrescentou que os advogados da legenda e de Lula “enumeraram uma série de sambas-enredo” que prestaram homenagem o petista e outros que criticaram ex-presidentes. No desfile da Acadêmicos de Niterói, houve sátiras aos ex-chefes do Executivo Michel Temer e Jair Bolsonaro, bem como menção a Dilma Rousseff.



source https://jovempan.com.br/noticias/politica/pt-pcdob-e-pv-acionam-tse-contra-flavio-zema-e-pl-por-suposta-propaganda-antecipada.html