
O ano de 2025 entrou para a história como um dos mais letais e caros já registrados em decorrência de eventos climáticos extremos. Incêndios florestais, enchentes, secas prolongadas e tempestades severas causaram cerca de 172 mil mortes no mundo e geraram US$ 224 bilhões em perdas econômicas, segundo levantamento internacional divulgado neste início de ano. Os números não são apenas estatísticas. Eles revelam um padrão cada vez mais claro: o clima extremo deixou de ser exceção e passou a ser regra. A ciência vem alertando há décadas, mas 2025 mostrou, com dados e vítimas, que o aquecimento global já está impactando diretamente a economia, a segurança alimentar, a saúde pública e a estabilidade social. Os incêndios florestais ganharam força em regiões historicamente menos vulneráveis, impulsionados por ondas de calor mais longas e secas intensas. As enchentes, por sua vez, foram agravadas por chuvas concentradas em curtos períodos, resultado de uma atmosfera mais quente e carregada de umidade. Já as tempestades se tornaram mais violentas, com maior capacidade de destruição de infraestrutura urbana, sistemas elétricos e áreas produtivas. Do ponto de vista econômico, o dado mais revelador é que apenas parte dessas perdas foi coberta por seguros. Países ricos concentram a maior fatia das indenizações, enquanto nações em desenvolvimento acumulam prejuízos sem mecanismos adequados de proteção financeira. Isso aprofunda desigualdades e evidencia que a crise climática também é uma crise de justiça social.
Outro ponto central é que os chamados “desastres naturais” já não podem mais ser tratados como fenômenos isolados. Eles estão diretamente conectados ao aumento da temperatura média global, à alteração dos regimes de chuva e ao avanço da ocupação desordenada em áreas de risco. O custo de não agir cresce mais rápido do que o investimento necessário para prevenção, adaptação e redução de emissões. O balanço de 2025 deixa uma mensagem inequívoca: a crise climática já está entre os principais riscos globais, ao lado de conflitos armados e instabilidades econômicas. Ignorá-la não é mais uma escolha política neutra, mas uma decisão que custa vidas, compromete o crescimento econômico e pressiona sistemas públicos em todo o mundo. Entrar em 2026 sem aprender com esses dados é aceitar que o próximo relatório seja ainda mais grave. A conta do clima já chegou — e ela não para de crescer.
source https://jovempan.com.br/opiniao-jovem-pan/comentaristas/patricia-costa/desastres-climaticos-causaram-mortes-e-prejuizos-bilionarios-em-2025.html


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